<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132051267212689861</id><updated>2012-02-16T05:32:54.020-08:00</updated><title type='text'>Caixa Preta</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cpreta.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Jurema</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15512610917958512487</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jgR_krxdHrc/TQwZbuTlg3I/AAAAAAAAADE/ZAvVr8NUvmg/S220/li06.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>12</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132051267212689861.post-2742799330990398354</id><published>2010-05-29T11:02:00.000-07:00</published><updated>2010-05-29T11:13:45.364-07:00</updated><title type='text'>Espinhos</title><content type='html'>Faltava uma semana para ele. Por séculos, era o dia que ela mais odiava - mais do que as datas de vencimentos das contas. Anualmente, quando o dia chegava, ela repetia o mesmo ritual: faltava o trabalho, ligava para o chefe dando alguma desculpa, dormia um pouco mais, ouvia metal no volume máximo e desejava com toda a força que o amanhã chegasse logo. Não nesse ano. Dessa vez, o plano de isolar-se em outra dimensão não funcionaria. Trabalhava no comércio agora, ganhava por comissão e infelizmente sabia que precisava daquele dinheiro sujo para pagar aquelas contas que se acumulavam na mesinha da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sentia-se mal por isso. Iria alimentar-se do lucro gerado por aquela nojeira? Talvez nem conseguisse comer se lembrasse que as moedas que compraram o alimento vieram das mãos de um homem apaixonado, a fim de agradar uma mulher, que sorriria ao receber aquelas rosas vermelhas. Eca! Detestava ser florista no Dia dos Namorados. Queria mesmo era que a amada gritasse de dor ao se ferir num espinho que a menina da floricultura "acidentalmente" não retirou. Bem feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não falava desse sentimento, claro. Nas vezes em que tentou, as amigas discursavam sobre inveja e mau humor. Não, ela não invejava aqueles casais melosos, repletos de beijinhos e cartões com corações em toda parte. Não, não era culpa do mau humor dela que estivesse sozinha ano após ano no 12 de junho. Era só uma questão de ideologia, princípios, amor próprio, independência, feminismo, inconformismo e auto-suficiência. Não? Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No dia terrível, acordou bem cedo. Vestiu o sorriso amarelo, que fazia parte do uniforme da "AlegRosas". Nem fez questão de pentear o cabelo ou disfarçar aquelas olheiras com um pouquinho de maquiagem. Decidiu vender o máximo que pudesse para que o sacrifício de participar do mundo naquela data valesse a pena. "Esqueceria" os espinhos nas rosas, como vingança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Foram as 12 piores horas da vida dela. O estômago embrulhava a cada venda. Algumas vezes realmente achava que tinha de correr para o banheiro e colocar pra fora, em forma de vômito, a insatisfação com o que via. Depois que o último comprador deixou a loja, alegrou-se por ter sobrevivido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Já de portas fechadas, resolveu presentear a si mesma com as flores feias que sobraram no balcão. Feriu-se com um espinho sacana, escondido atrás de uma folha. "Merda", gritou. Mas não sentiu a tocarem nos ombros e perguntarem, com sorriso e pesar, se estava tudo bem. A sensação de ter por perto alguém que se importasse quando ela estivesse ferida seria incrível. "Merda", sussurrou. Deveria ter limpado melhor aquelas rosas que vendeu...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132051267212689861-2742799330990398354?l=cpreta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cpreta.blogspot.com/feeds/2742799330990398354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2010/05/espinhos.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/2742799330990398354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/2742799330990398354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2010/05/espinhos.html' title='Espinhos'/><author><name>Kah Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08046554212270664689</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VrDAm0TeJvQ/ThZRb3yVEuI/AAAAAAAABgM/VMIOpsX1-GU/s220/1024j.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132051267212689861.post-1340683435114323247</id><published>2010-05-14T20:54:00.001-07:00</published><updated>2010-05-14T20:54:56.147-07:00</updated><title type='text'>Espetáculo</title><content type='html'>“Cento e vinte e cinco dias”, repetia em sussurros, enquanto ouvia Chopin. Sim, ela os contava. Um por um. E agora, deitada no quarto escuro, lembrava-se da sensação que tinha toda vez que ele estava à porta. Sempre às sextas, no mesmo horário. Pontualmente, de forma sincronizada com o tocar dos dedos dele na campainha, o coração dela ensaiava um disparar -tal como o ritmo que agora acelerava no concerto do pianista que ouvia. Ele era o que Mia ansiava durante toda a semana. E ao fechar os olhos, ela podia sentir como era tê-lo por perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrumava o cabelo no espelho do quarto, descia as escadas em tempo recorde e abria a porta esperando ser beijada. Ainda tinha dois segundos para sentir o perfume, antes dos lábios se tocarem. Quando se uniam, não podia pensar em mais nada. O corpo repetia aquela coreografia excitante: a língua deslisava sobre a dele (e por baixo, e pelos cantos...), as borboletas se agitavam no estômago, os pelos acordavam e o cérebro controlava os pés – se não os forçasse contra o chão, sentia que se desprenderiam e ela flutuaria, escapando daquele beijo. E só o que ela queria, antes e agora, era permanecer nele. Fazer parte daquela ópera de desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem ele não havia espetáculo. Mia sentia-se em um teatro vazio, enquanto as notas que saiam do piano, como eternas namoradas, encaixavam-se perfeitamente para compor a melodia que a perturbava. Reconhecia a sensibilidade e genialidade de Chopin. Mas sabia que incomparável mesmo era aquele som da campainha, que há cento e vinte e cinco dias não era regido pelo maestro da orquestra que ela mais gostava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132051267212689861-1340683435114323247?l=cpreta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cpreta.blogspot.com/feeds/1340683435114323247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2010/05/espetaculo.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/1340683435114323247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/1340683435114323247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2010/05/espetaculo.html' title='Espetáculo'/><author><name>Kah Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08046554212270664689</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VrDAm0TeJvQ/ThZRb3yVEuI/AAAAAAAABgM/VMIOpsX1-GU/s220/1024j.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132051267212689861.post-9169718814336566858</id><published>2010-05-14T17:41:00.000-07:00</published><updated>2010-05-14T18:05:18.303-07:00</updated><title type='text'>"I feel. No more can I say"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Presta atenção nesta música”, disse ele. Estava de olhos fechados. Deitada, com a cabeça embaixo da janela. E uma moça com voz suave começou a sussurrar frases em outra língua... Arrancava de um canto meu qualquer coisas que eu havia trancafiado há algum tempo. De propósito. Com toda a razão. Falou dos caminhos que eu nunca encontrava, de quem não estava ao meu lado naquele momento. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enganou-se. Sobre a cama, quatro pernas imóveis embaralhadas. Braços em abraço tenso para que o corpo entre eles não me escapasse. Respiração lenta. Qualquer suspiro mais forte provavelmente abortaria o que estava por vir. Preferia não correr o risco. Dois sentidos davam conta de mim. Um ouvia aquele sussurro que sacudia a inércia das minhas lembranças. O outro experimentava as pontas daqueles dedos indecisos, que deslizavam até meu joelho e depois corriam pelo braço. Sem pronunciar palavra ou pedir licença. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em pouco tempo, excluí do meu delírio também a dona da voz suave. Escutei as minhas próprias canções, que faziam todo o sentido para mim. Para nós. Aquelas que eu mesma havia censurado. Senti a que dizia que“... (te) encontrei quando não quis mais procurar... e ninguém dirá que é tarde demais...”. E emendei com algum ritmo cubano, trilha sonora das minhas noites insones naquele lugar. Onde o verão sempre fica pra mais tarde. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poderia jurar que fiquei assim durante toda a noite. Até que a moça parou de cantar. Próxima música. E um de nós, nem sei quem, respirou mais fundo. Pronto. Abri os olhos. Na verdade, embaixo da janela estavam minhas pernas. Levantei para tomar banho. Ele, pra encher a taça, selecionar nova trilha... Sei lá. A minha razão – e a dos outros – estava de volta. Mas pra quê, se não me serviam de nada. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho difícil... Mas será que dá pra tentar isso de novo? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132051267212689861-9169718814336566858?l=cpreta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cpreta.blogspot.com/feeds/9169718814336566858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2010/05/i-feel-no-more-can-i-say.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/9169718814336566858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/9169718814336566858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2010/05/i-feel-no-more-can-i-say.html' title='&quot;I feel. No more can I say&quot;'/><author><name>Jurema</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15512610917958512487</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jgR_krxdHrc/TQwZbuTlg3I/AAAAAAAAADE/ZAvVr8NUvmg/S220/li06.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132051267212689861.post-1812692508526458695</id><published>2010-05-07T22:43:00.000-07:00</published><updated>2010-05-07T22:54:59.756-07:00</updated><title type='text'>Antibiótico Importado</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;      “Ahn... Então... Você já está indo pra lá? É, acho que não vai dar pra ir. Ainda estou no trabalho. Está chovendo. Moro longe. Meu gato está sozinho, com medo da casa nova. E deve estar com frio. Ainda tenho que tirar a roupa da máquina. Eu estava louco pra te ver, mas acho que não vai dar. E o Mário ligou, disse que lá perto da sua casa está tudo alagado.” &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;      “Alagadooooo”??? Como assim? Sei bem o quanto o último argumento soou como “desculpa esfarrapada”. E foi exatamente por isso que resolvi me render a ele. Fingi que acreditei. Sem mais perguntas. Já se gabava o meu pai: “Que menina diplomática!”. Não ia ficar discutindo o porquê da preguiça em me encontrar, não é? Preguiça não se explica. Moro no mesmo lugar há quatro anos. A única vez que aquilo alagou foi há uns dois meses, numa encenação do dilúvio. Algo sem precedentes. O Rio desabou em água. Só comparada àquela chuvinha encomendada por Noé. Lembra? O danado estava louco pra estrear o iate novo. Dizem que tinha até zoológico lá dentro. Aí chamou a família toda, ensaiou uns passinhos de lambaeróbica e “cabum!”. Fez-se a tempestade. Foi a primeira dança da chuva de que se tem registro. Durou uns 40 dias e 40 noites.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;      Mas voltando ao bolo, digo, ao assunto... Cheguei em casa uns 20 minutos depois de informada do alagamento. E, para a minha surpresa, nem precisei nadar do wolksvagen azul de 48 lugares que me trouxe, até o portão do meu prédio. Pasmem. Chovia. Mas era só. Foi então que resolvi colocar em prática uma vingança secreta. Será que podemos chamar de vingança, se o alvo nem ficaria sabendo? Ah, não importa. Na verdade era só para eu me sentir melhor. Algo do tipo “não desperdicemos a noite e muito menos sua auto-estima”. Saquei o celular da bolsa. Numa velocidade de duas polissílabas por segundo, resolvi minha vida: “Can you meet me?”. Não, não havia polissílabas na frase (existem polissílabas no inglês?). &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;      Em 40 minutos ele estava lá, assistindo ao jogo do Flamengo comigo. Cheiroso, disponível, com meu presentinho de aniversário na mão (é... completei 21 anos estes dias) e achando lindas todas as minhas caretas de “tira essa bola daííííí, seu imbecil!”. Pronto pra me roubar deste país dos bolos.  Isso sem mencionar a aula de inglês free. Arrisco-me a dizer que nem uma amnésia alcoólica seria assim, tão eficiente. Se vingança pessoal tem nome, atende por Mike. E foi um ótimo antibiótico para minha dor de corno.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;      “Quero que você conheça meu gato. Vem amanhã. Saio às 20h do trabalho.” Não, eu não acreditei neste papo. Óbvio que eu sabia que não era pra conhecer gato nenhum. Mas nós, mulheres, também temos necessidades (chocado? Pois é, temos. O joguinho do “não dou” é parte do floreio.). Marquei. No meio da tarde do “amanhã”, recebo um torpedinho suspeito. “Quando você vem?”. Inocente, respondo: “Hoje. Vai estar lá às 20h?”. Eis que recebo o míssil-surpresa. “Estou trabalhando. Mas verei se posso sair mais cedo”.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;      Você deve estar se perguntando: “E você ainda ficou surpresa, sua bucha ingênua?”. É, confesso que não fiquei surpresa não. Decepcionada é a palavra. Pensei um pouco e cogitei: “Ele só pode estar brincando. Deve ser um enviado da Monique para testar meu ascendente em gêmeos, meu lado frio e exclusivamente carnal. Aquela viciada em horóscopos! Ou um subordinado do Capeta, para que eu pague todos os pecados que cometi com meu ex”. Agora um desabafo: torço pela primeira opção.  Se for castigo, pressinto bolos nas próximas 73 encarnações.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;      Desta vez eu não tinha Mike, nem jogo do Flamengo, nem presentinho. Meu antibiótico já tinha regressado pra terra do Tio Sam. Neste dia fui à aula, toda resignada. Mais tarde o telefone toca. “Consegui sair mais cedo. Vem?”.  Calma. Até bucha necessitada tem limites. “Ah, tenho que ir pra casa estudar”. Que orgulho de mim mesma! Fim da aula. Corri pra casa. Liguei o computador numa carente ansiedade. Não, não entrei no bate papo da UOL. Não desta vez. Foi um e-mail, mesmo: “Mike! Are you there? Miss you.” Pensei até em acrescentar um tempero à vingança. Chamar pelo apelido do outro é malvado, né? Seria perfeito! Mas não sabia como dizer “fofolete” em inglês. A ignorância me convenceu a não temperar.  E assim ficamos por toda a noite. E pelas noites e dias seguintes. Web meetings.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;      Graças a Deus - ao capeta ou a Monique -, web bolos são mais difíceis de acontecer. Recebo e-mails em dias chuvosos e Mike pode acariciar o gato solitário enquanto admira minha cara de sono na web cam. E para as demais necessidades...  Você já deve ter ouvido falar de alternativas bem criativas, não é?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132051267212689861-1812692508526458695?l=cpreta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cpreta.blogspot.com/feeds/1812692508526458695/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2010/05/antibiotico-importado.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/1812692508526458695'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/1812692508526458695'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2010/05/antibiotico-importado.html' title='Antibiótico Importado'/><author><name>Jurema</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15512610917958512487</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jgR_krxdHrc/TQwZbuTlg3I/AAAAAAAAADE/ZAvVr8NUvmg/S220/li06.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132051267212689861.post-2316466587279555352</id><published>2010-05-07T22:17:00.000-07:00</published><updated>2010-05-07T22:19:47.926-07:00</updated><title type='text'>Tratado de Coexistência</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 12"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CKaren%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;link rel="themeData" href="file:///C:%5CUsers%5CKaren%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx"&gt;&lt;link rel="colorSchemeMapping" href="file:///C:%5CUsers%5CKaren%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:trackmoves/&gt;   &lt;w:trackformatting/&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt; 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Aliás, nem era de amor que ela falava. Era sobre orgulho ferido, medo e alguma dose de arrependimento. Esse coquetel de sentimentos pós-namoro pode ser facilmente confundido com amor residual. Mas não era. Era pura dor-de-cotovelo. Ora, durante todo o ano em que estiveram separados, a ausência dele não a incomodava tanto, por que isso agora? Talvez porque o problema não fosse a falta, mas a presença. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Ela só percebeu que ele estava presente, que existia de fato, quando o viu com outra. Ali Rodrigo deixou de ser uma alma penada e reencarnou naquele amante. Não era mais só o ex que mandava sinais vez ou outra, na tentativa de resolver “assuntos inacabados”. Era o ex que jantava fora com a namorada nova e isso incomodava. “Deve se temer os vivos, não os mortos”. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;E ela que há tanto acreditava que ele não viveria sem ela... Como comensalismo: ele foi a rêmora que precisava dos restos do tubarão Ana para sobreviver. Foi, não era mais. Ana continuava a comer, mas Rodrigo não apreciava mais as migalhas. Ele tinha a outra, a nova, a namorada, para servi-lo um banquete. Ver como ele saboreava de novo o gostinho de comida feita na hora doía muito. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Lembrou-se de quando eles provavam juntos as coisas frescas. Lembrou-se de como, com o tempo, a familiaridade com o sabor embrulhava o estômago. Foi nessa fase que Ana escolhera a separação. Precisava, desesperadamente, experimentar o novo. Mas um ano depois, quando Rodrigo estava com ela, bem ali, diante dos seus olhos, entristeceu-se. Deixou o restaurante de sempre e começou a escrever a carta. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;Tentou organizar em palavras o tanto de sentimento que tinha. Não era só uma carta de amor. Era uma rendição e, ao mesmo tempo, um decreto de alforria. O necessário para que coexistissem. Colocou em um envelope, deixou com o porteiro do prédio dele no dia seguinte. Ligou para um amigo: Ana finalmente tentaria culinária japonesa essa noite. &lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132051267212689861-2316466587279555352?l=cpreta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cpreta.blogspot.com/feeds/2316466587279555352/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2010/05/tratado-de-coexistencia.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/2316466587279555352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/2316466587279555352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2010/05/tratado-de-coexistencia.html' title='Tratado de Coexistência'/><author><name>Kah Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08046554212270664689</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VrDAm0TeJvQ/ThZRb3yVEuI/AAAAAAAABgM/VMIOpsX1-GU/s220/1024j.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132051267212689861.post-1178375222117702226</id><published>2010-04-09T12:52:00.000-07:00</published><updated>2010-04-09T15:53:15.327-07:00</updated><title type='text'>Para uma menina com uma flor</title><content type='html'>Perdi a conta das vezes que ouvi minha avó dizer "ah, quem está apaixonado não vê defeitos". Hoje me dei conta que, no auge dos seus 70 e poucos anos, minha vovozinha nunca deve ter se apaixonado. Preocupante. Ou não. Sei lá. O que importa é que ela estava enganada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você, caro leitor que não tem mais o que fazer com seu tempo, a não ser ler este blog preguiçoso, desconfia que é uma vítima deste mal que assola os mais despreparados, responda com sinceridade a pergunta a seguir: Você conhece e gosta dos defeitos do seu amado? Ok. O "gostar" também pode ser substituído por "aturar de forma paciente" ou "achar que é um defeitinho fofo". Se a resposta for não, relaxe. Alarme falso. Mas se a resposta for positiva, meus pêsames.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem vindo ao clube daquela que atura a flatulência do amado, com um sorriso no rosto, porque "isto é normal". E também daquele que ama os surtos periódicos da namorada, quando esta acerta toda a louça na parede, num ponto pouco acima da vítima apaixonada (É, Thales, você pode reclamar mas eu sei que você adora!). Ou ainda a que finge não perceber que ele nunca sai de casa pra não gastar dinheiro. "Ah, isto nem é importante".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é. Os defeitos vem no pacote. Ame-os ou deixe-o. E não, não percebi que minha avó estava errada porque estou apaixonada. Pelo menos não a nível consciente. Mas foi depois de ler o texto abaixo, do brega-mor, Vinícius de Moraes. É grande, mas lindo! Sem preguiça. Vale a pena o esforço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Para uma menina com uma flor&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, o que, aliás, você não vai nunca porque você acorda tarde, tem um ar recuado e gosta de brigadeiro: quero dizer, o doce feito com leite condensado.&lt;br /&gt;E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris e você ficou morrendo de pena delas partindo assim no meio de todas aquelas malas estrangeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque você sonha que eu estou passando você para trás, transfere sua d.d.c. para o meu cotidiano, e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de você ser assim tão subliminar. E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre um nicho, mesmo quando põe o cabelo para cima, parecendo uma santa moderna, e anda lento, e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor, eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der uma paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pajem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz, e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim para ele, e ele escuta e não concorda porque ele é muito meu chapa, e quando você se sente perdida e sozinha no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho. E porque você é uma menina que não pisca nunca e seus olhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E porque você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-Vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e cativou meu coração e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca mais me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim por elas, a mão no queixo, a perna cruzada triste e aquele olhar que não vê. E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita para você, "Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, você, se por acaso não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse cantando sem voz aquele pedaço que eu digo que você tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonha - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão de Guignard; e o meu coração, como quando você me disse que me amava, põe-se a bater cada vez mais depressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah, eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que eu já tive, e você é a filha dileta de todas as mulheres que eu amei; e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfrentando a sua fronte de grinaldas; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobretudo porque você é uma menina com uma flor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132051267212689861-1178375222117702226?l=cpreta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cpreta.blogspot.com/feeds/1178375222117702226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2010/04/para-uma-menina-com-uma-flor.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/1178375222117702226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/1178375222117702226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2010/04/para-uma-menina-com-uma-flor.html' title='Para uma menina com uma flor'/><author><name>Jurema</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15512610917958512487</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jgR_krxdHrc/TQwZbuTlg3I/AAAAAAAAADE/ZAvVr8NUvmg/S220/li06.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132051267212689861.post-2611728962240828133</id><published>2010-01-23T06:47:00.000-08:00</published><updated>2010-01-23T07:10:12.088-08:00</updated><title type='text'>AMAR, verbo intransitivo (Mário de Andrade)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste natal ganhei, de um amigo muito querido, um livro sobre o amor. Mais um dentre os milhões que já foram escritos com este tema tão lugar-comum. A dedicatória já era um presságio do que estava por vir: “Só que o amor, neste livro, é baixo”. Empolguei-me. Devorei.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas para a minha surpresa e, provavelmente, para a surpresa do Beto (que me deu o livro) quando resolver ler a obra, a história trata do amor comum, cotidiano, rotineiro. Em todas as suas fases: sedução, atração, sensualidade, rotina, dor da perda, esquecimento, novo amor. Não é exatamente o que eu e Beto costumamos chamar de “baixo”, mas tem uns momentos deste tipo, assim como qualquer relacionamento. É uma lição de amar, literalmente, já que a história se desenvolve em torno de Fräulen, uma pseudogovernanta contratada para ensinar ao adolescente Carlos os prazeres e dores do amor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fräulen deseja voltar para a Alemanha, país em que nasceu, e casar. Sonha com o marido que “chega da cidade escura... vai botar os livros na escrivaninha... Depois vem lhe dar o beijo na testa... (…) Jantariam quase sem dizer nada... Temos concerto da Filarmônica amanhã.”, diria ela. Quer um amor comum – para ela o mais verdadeiro. E este trabalho com Carlos seria um dos últimos para que ela pudesse, enfim, juntar todo o dinheiro necessário para voltar a sua pátria. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E Fräulen ensina. Carlos se apaixona. Fräulen quase se deixa levar pela semi-inocência do aluno. Sente ciúmes. Sente ternura. Sente pena. Por fim “Carlos amava com paixão”. Descobre outro sentido para a palavra felicidade. Descobre que “a felicidade é tão oposta à vida que, estando nela, a gente esquece que vive”. E Fräulen deixa Carlos. A lição está completa. Dura lição para o adolescente. E para a professora. Carlos fica apenas com esta “coisa tristonha e desagradável que dos portugueses herdamos: a saudade”. Mas aprende. AMAR é VERBO INTRANSITIVO. Não pede explicações, complementos. É apenas amor. E Carlos torna a amar. Como todo mundo. Amor comum. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132051267212689861-2611728962240828133?l=cpreta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cpreta.blogspot.com/feeds/2611728962240828133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2010/01/amar-verbo-intransitivo-mario-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/2611728962240828133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/2611728962240828133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2010/01/amar-verbo-intransitivo-mario-de.html' title='AMAR, verbo intransitivo (Mário de Andrade)'/><author><name>Jurema</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15512610917958512487</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jgR_krxdHrc/TQwZbuTlg3I/AAAAAAAAADE/ZAvVr8NUvmg/S220/li06.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132051267212689861.post-6276751718743445285</id><published>2010-01-12T18:13:00.000-08:00</published><updated>2010-01-12T18:26:36.465-08:00</updated><title type='text'>As Origens do Método de Relacionamento Ocidental</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Quem foi o espírito sem luz que inventou a tal da monogamia? Aposto, valendo dinheiro, que foi um ser ocidental, barrigudo, desprovido de qualquer atributo físico, que não pegava ninguém. Devia ser um daqueles tipos que, numa rodinha de amigos, não tinha nenhum caso verídico com uma médio gostosa, envolvendo si mesmo, pra contar. Era o alvo de todas as piadinhas dos companheiros de bar que envolvessem os termos sexo + mulher (os únicos assuntos viáveis numa reunião com mais de dois seres do sexo masculino. Além de futebol, é claro).&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sim, só pode ter sido assim. Porque seria mais simples se todo mundo ficasse com quem quisesse, sem ter que enfrentar problemas por conta de uma escapadinha que, sob meu ângulo, não seria pulada de cerca. Seria cultural. Normal. Fenomenal. Genial. Evitaria brigas, crises de insegurança, mulheres loucas de ciúmes querendo extirpar qualquer vestígio do órgão sexual dos seus maridos. Ninguém mais ouviria falar dos cornos das mesas de bar. Não haveria mais deprimidos depois de serem contemplado por chifres. Até porque não haveria chifres, nem cornos, nem vagabundas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Penso que quando o mundo surgiu, devia ser assim. Todo mundo é de todo mundo. Nada de egoísmo. Sentimento mais mesquinho. Por que uma pessoa não pode amar várias – ao mesmo tempo? Pode sim. Teoricamente pode. Mas a prática não deixa. Culpa deste barrigudinho que, além de aderir ao estilo mais sem graça de relacionamento, ainda enfiou na cabeça de todos os ocidentais que era melhor – devia ser publicitário ou jornalista. Ainda disse que era assim que Deus queria. Mentiroso. E quem disse que Deus é monogâmico? Se Deus for a favor deste modo de vida, é por um motivo apenas: além de ficar jogando batalha naval com São Pedro no céu, nas horas vagas e cheias de tédio, se diverte também observando as bebedeiras dos cornos, as piadinhas que os mais sem coração inventam para os contemplados e as corridas dos amantes, ao notarem a presença inoportuna de maridos que não tiveram nem o bom senso de fazer barulho ao entrar em casa. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não sei se alguem vai ler esta divagação. Se concordar, que bom. É uma pessoa de bom senso. Mas, caso contrário, que fique claro que sou um ser monogâmico, apesar das aparências. É... Já que impuseram que fosse assim, tive que aderir. Não gosto de saber que aquele namorado para o qual passei a tarde inteira queimando a barriga no fogão, a fim de felicitá-lo com um maravilhoso jantar de comida congelada semi-pronta, estava se agarrando com uma loira linda na noite anterior. Muito menos gosto de ser alvo das piadas que vêm de brinde com o chifre. E sou egoísta. Odeio dividir o que eu penso que é meu. Mas que a poligamia seria um método menos trabalhoso e mais prazeroso... ah, seria. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132051267212689861-6276751718743445285?l=cpreta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cpreta.blogspot.com/feeds/6276751718743445285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2010/01/as-origens-do-metodo-de-relacionamento.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/6276751718743445285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/6276751718743445285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2010/01/as-origens-do-metodo-de-relacionamento.html' title='As Origens do Método de Relacionamento Ocidental'/><author><name>Jurema</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15512610917958512487</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jgR_krxdHrc/TQwZbuTlg3I/AAAAAAAAADE/ZAvVr8NUvmg/S220/li06.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132051267212689861.post-8564054803424796936</id><published>2009-11-04T18:16:00.000-08:00</published><updated>2009-11-04T18:20:12.303-08:00</updated><title type='text'>Quarto Arrumado</title><content type='html'>Chuva a deixava de mau humor. Mas naquele dia, o pingar do lado de fora era só uma materialização do choro guardado, que ela escondia por imaturidade. Fato que não era toda a cidade que chorava, mas o egoísmo e a melancolia sussurravam que a chuva era toda dela naquele instante – perfeito cenário de tarde triste. Precisou olhar a pulseira pela última vez antes de junta-la aos papéis amarelados e bugigangas na caixa de papelão que ia para o lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrou do entrelaçar de alegria e tristeza com que recebeu aquele presente. Há cinco anos ela já sabia que teria a cena para sempre na lembrança. Mas a dor ainda não era palpável, apesar de previsível. Naquela tarde é que conseguiu entender as palavras que ouviu quando abria o embrulho: “Para que não esqueça o que tivemos”. Ela nunca esqueceria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando só a distância física importava, não passava um só dia sem pensar nele e no sorriso bobo que ele a deixava toda vez que fazia um elogio. Quando à distância foi somado o tempo, a vontade de senti-lo era enorme e fazia planos para saciá-la. O desejo pela aventura tornava o planejar excitante. Quando o medo de deixar o cotidiano começou a fazer sermões sobre o imprudente, a excitação se despediu. Cinco anos depois, a chuva na janela trazia tudo isso de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca há de saber como teria sido. E entendeu que isso era o menos importante. A beleza sobrevivia no eterno tocar de mãos de anos atrás. Ela e ele, apaixonados, naquele tempo, eram para sempre. A intensidade estava no que foram e não no que seriam. Todo o resto é efêmero e sem valor. Guardou de volta a pulseira na gaveta. A chuva cessou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Karen Lessa)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132051267212689861-8564054803424796936?l=cpreta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cpreta.blogspot.com/feeds/8564054803424796936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2009/11/quarto-arrumado.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/8564054803424796936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/8564054803424796936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2009/11/quarto-arrumado.html' title='Quarto Arrumado'/><author><name>Kah Lessa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08046554212270664689</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VrDAm0TeJvQ/ThZRb3yVEuI/AAAAAAAABgM/VMIOpsX1-GU/s220/1024j.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132051267212689861.post-3404749474421710217</id><published>2009-11-01T22:30:00.000-08:00</published><updated>2009-11-01T22:40:56.212-08:00</updated><title type='text'>Sete dias</title><content type='html'>“Não, não abram”, implorou. Mas eles se abriram. Havia certa dose de maldade nesta teimosia. Ela queria continuar a sonhar por muito mais tempo. Mas os olhos queriam o mundo. Tinham vontade própria, autonomia. E se abriram. “Traidores!”, blasfemou ela enquanto empurrava os lençóis. Odiava esta realidade constantemente nublada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu o chuveiro. Deixou a água morna cair com força no rosto. Já que era pra acordar, que acordasse logo. Quase no mesmo instante sentiu uma presença familiar. Ele nunca se atrasava, aquele pensamento insistente. Chegava antes mesmo do primeiro gole de café. Há algum tempo a acompanhava. “Inconveniente! Não, não vou ligar”, rebateu. Queria que a vontade escorresse pelo ralo junto com o fluido que deslizava pelo corpo. Demorou um pouco mais no banho. O suficiente para se convencer de que passaria o dia inteiro querendo ligar. Mais um dia. Não tinha jeito. Vestiu-se. Pegou a chave do carro e bateu a porta de casa atrás de si.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já era noite quando voltou. Tinha passado o dia encostada no celular. Não tocou uma só vez. Por um momento chegou a ter esperanças – recebeu um torpedo. Conferiu o conteúdo. “Operadora maldita”, desabafou. Na secretária eletrônica, só um recado da mãe. “Não esqueça pegar o bolo na confeitaria”. De fato, já nem lembrava mais do aniversário da avó. Abriu a geladeira e comeu qualquer coisa. Deixou a água morna escorrer pela nuca, desta vez. Era o fim do sétimo dia de vontade. Pegou o celular, apagou o telefone dele da agenda. Adormeceu.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Larissa Verdier)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132051267212689861-3404749474421710217?l=cpreta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cpreta.blogspot.com/feeds/3404749474421710217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2009/11/sete-dias.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/3404749474421710217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/3404749474421710217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2009/11/sete-dias.html' title='Sete dias'/><author><name>Jurema</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15512610917958512487</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jgR_krxdHrc/TQwZbuTlg3I/AAAAAAAAADE/ZAvVr8NUvmg/S220/li06.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132051267212689861.post-4525580750984014851</id><published>2009-10-30T05:19:00.000-07:00</published><updated>2009-11-02T13:14:53.538-08:00</updated><title type='text'>(Re)animação cardíaca</title><content type='html'>Ela olhou nos olhos dele, o corpo todo gritava por dentro. Sentiu um pequeno arrepio e soltou um daqueles suspiros de filme: estava mesmo gostando disso tudo. Com a mesma intensidade, estava desesperada com a situação. Não estar no controle nunca esteve em seus planos. E ele nem era “cool”. Não tinha olhos verdes. Faltava quase 20cm para que o sapo atingisse a altura mínima requisitada para príncipe. Sobrava pelo. Ainda assim, o coração idiota insistia em acelerar quando Ana via aquele sorriso bobo de Domênico. “Nome estúpido”, bufou ela. Não era bonito, não soava bem e nem dava pra tirar um apelido daquela “graça” de vovô. Irremediavelmente apaixonada. E ela sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saber que ainda tinha um coração era até legal. Fazia tempo desde a última vez que Ana estava tão confortável e dependente de alguém. Desastre. A última vez tinha sido tão intensa: 30 dias de liberdade e tesão incontroláveis, seguidos por 3 dias de choro inesquecíveis. Certamente, ela não queria aquilo de novo. Ok, tinha saudade da parte do desejo. Lembrar do tempo de fossa é que ofuscava o saudosismo. Ana estava vulnerável. De novo. Sem chance para achar o caminho de volta. “Por favor, o botão de reset?”, repetia para si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não encontrou o botão, menos ainda o príncipe. Foi interrompida pelo barulhinho do torpedo: “Fica linda assim perdida nos pensamentos...”. Sorriu e encontrou o sorriso-gêmeo do outro lado da sala. Nele. Quando as borboletas se agitaram no estômago, teve a certeza de que sapos são bem mais interessantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Karen Lessa)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132051267212689861-4525580750984014851?l=cpreta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cpreta.blogspot.com/feeds/4525580750984014851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2009/10/ela-olhou-nos-olhos-dele-o-corpo-todo.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/4525580750984014851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/4525580750984014851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2009/10/ela-olhou-nos-olhos-dele-o-corpo-todo.html' title='(Re)animação cardíaca'/><author><name>Jurema</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15512610917958512487</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jgR_krxdHrc/TQwZbuTlg3I/AAAAAAAAADE/ZAvVr8NUvmg/S220/li06.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4132051267212689861.post-6823463135012064393</id><published>2009-10-24T11:27:00.000-07:00</published><updated>2009-10-24T11:31:06.305-07:00</updated><title type='text'>Sobre Ela</title><content type='html'>Ela nunca me liga. Foi exatamente o que pensei quando o telefone tocou. Mas era ela e ligou só pra saber como eu estava. Acho que é louca. Quem bom... me sinto mais confortável depois de tal constatação. Uma semelhante! E ainda é ousada. Da forma que me aconselha, até acreditaria que sabe mesmo do que está falando. “É, essa minha amiga é muito segura”, pensaria eu, se fosse uma desavisada. “Se ela diz que no começo é assim mesmo, eu acredito!”. Mas, nas atuais circunstâncias, crer no que ela diz é um favor a mim mesma. É mais fácil. Mesmo que ela seja tão louca quanto eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um semestre ela era apenas uma amiga qualquer da faculdade. Não sabia o nome da mãe, nem do pai. Só sabia o da irmã, porque fazia ecos.... Suellen Ellene. Dá pra esquecer? Um eco desse fica gritando em minha mente por dias e provocando sinceras gargalhadas solitárias – tenho vergonha das minhas gargalhadas solitárias e, na maior parte das vezes, públicas. Mas voltemos ao que interessa. Ou não interessa. Não importa! Voltemos ao que quero contar. Acho que ficamos mais próximas depois que ela voltou de uma viagem transgressora. Diria mais... libertadora. Depois disso, nossas ideias, que tinham lá suas deliciosas porções de insanidade, se tornaram complementares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após meses de uma análise inovadora baseada na ingestão de coca-cola light na cantina da faculdade ( Não, nada de Freud ou Lacan. A psicanálise pós-moderna utiliza coca-cola light) chegamos a uma conclusão. Nossos namoros duráveis e politicamente corretos, com pessoas trabalhadoras e esforçadas eram um saco. Sim, um saco! Eu explico: se amassar no cinema com a mesma pessoa por sete anos, no meu caso, e três anos no dela, só parece lindo para os solteiros carentes. Quiçá desesperados. Ah! Pensando bem, depois de tanto tempo de aturação, digo, de relação, os casais vão ao cinema assistir o filme, mesmo, e se atracar com sacos de pipoca e refrigerante sem fim. Nada de amassos. Pois então... chutar os namorados foi uma ideia genial. A sacada! Gestalt (Amo essa palavra. Não sei bem o que significa, mas é tão cult)!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não foi tão simples quanto nos pareceu a princípio. Os chutes tinham que ser sincronizados. Isso evitaria a carência excessiva, típica de fim de namoro velho. Ela bica na Barra e eu em Friburgo. Haja logística pra isso. Rendeu-nos várias semanas de planejamento e, acima de tudo, muita análise. Tá, mais coca-cola light, pra simplificar o raciocínio. Mas enfim conseguimos. Foi duro. Pois, ao contrário do que pode parecer, temos coração (dizem as más línguas que o órgão já chegou a registrar temperaturas de -10°C. Arriscaria dizer que, no caso dela, -18°C. Mas pelo menos existe. Pulsa.) .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não saiu bem como o planejado, porque ela terminou umas três semanas antes. Mas ficamos solteiras e é isso que importa! E foi nesta época que ela começou a me ligar. Ela nunca me ligava, essa minha amiga da faculdade. E ligou só pra perguntar como eu estava com o fim do namoro. Vai-se o namorado, surge a amiga. Bela troca. Queríamos as mesmas coisas – noites e mais noites de insanidade completa. Queríamos amores (isso, no plural mesmo) intensos e fugazes. Desses que acabam quando o sol ordena que acendam as luzes da boate (odeio este momento. Por mim a festa poderia durar semanas). Sim, porque a gente enjoa rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com meus cálculos já se passaram quatro meses desde que eu e Karen Monique, para os íntimos, nos declaramos oficialmente solteiras. Neste curto espaço de tempo já descobri que a mãe dela se chama Marília e é formada em Educação Física. Tá, sempre esqueço o nome do pai, mas sei que ele vive implorando para que Karen faça concurso público, o que o torna um clone do meu progenitor. Descobri também que Suellen Ellene me dá medo. O que eu posso fazer? Ela me dá medo! Não, ela não é feia. Bonita, até. Mas sempre tenho a impressão de que está pensando em alguma maldade a meu respeito. É, porque a Karen é assim. Adora uma maldade. A característica deve ser genética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ostentando o status de solteiras, já nos divertimos bastante. Tudo bem. Evitarei os detalhes sórdidos. Mas reitero que nossas mentes são complementares. No mais, descobri que a minha amiga alma gêmea esteve comigo nos últimos três anos e só agora notei. As diferenças entre nós eram gritantes. Ela adora Barra e eu a Lapa. Ela ama EUA e eu sonho com Europa. Ela Madonna e eu samba. Alguns detalhezinhos que dificultam este tipo de percepção. Ah, mas se eu soubesse... Poderíamos ter dado início aos trabalhos há muito mais tempo! Hoje temos alguns planos juntas. Manter uma geladeira repleta de ice num apartamento na Lagoa é um deles. Temos outros poucos objetivos profissionais também mas estes, por hora, são segredo. Não pensamos mais que relacionamentos duradouros são um saco. Talvez tenhamos aderido à classe dos solteiros desesperados. Mas continuamos insanas – é irremediável – e ainda complementares.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4132051267212689861-6823463135012064393?l=cpreta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cpreta.blogspot.com/feeds/6823463135012064393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2009/10/sobre-ela.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/6823463135012064393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4132051267212689861/posts/default/6823463135012064393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cpreta.blogspot.com/2009/10/sobre-ela.html' title='Sobre Ela'/><author><name>Jurema</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15512610917958512487</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_jgR_krxdHrc/TQwZbuTlg3I/AAAAAAAAADE/ZAvVr8NUvmg/S220/li06.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry></feed>
